As histórias que a escritora Sara Timóteo tem para contar

A paixão pelos livros fez com que a Biblioteca da Quinta da Piedade fosse a sua segunda casa. Dos livros de criança, aos clássicos da literatura - como os escritos por Eça de Queiroz e Júlio Dinis, todos eles são pretexto para dar asas à imaginação.

Aos oito anos, Sara Timóteo, escritora a viver há 34 anos na Póvoa de Santa Iria, já escrevia livros e dizia com firmeza que, no futuro, iria ser isso mesmo: escritora e, desta forma, publicar aquelas e outras histórias.

“Escrevia cadernos inteiros, ainda nos tempos em que frequentava o centro de Atividades de Tempos Livres (ATL), na Associação Popular de Apoio à Criança – APAC, na Póvoa de Santa Iria, e guardava-os para um dia os publicar. Foi sempre um sonho, desde criança”, conta.

A paixão pelos livros fez com que a Biblioteca da Quinta da Piedade fosse a sua segunda casa. Sara lia em todos os tempos livres, chegava a ler seis livros por dia. Dos livros de criança adequados à idade de então, aos clássicos da literatura – como os escritos por Eça de Queiroz e Júlio Dinis -, todos a fascinavam. E, ainda nessa altura, aconteceu a descoberta da literatura estrangeira e o interesse por aprender todas as línguas que fosse possível.

“Há pessoas que me viram em pequena a ler livros horas e horas na Biblioteca da Quinta da Piedade e que ainda hoje lá trabalham e se recordam de mim e dessas rotinas e episódios”, reforça.

Logo que pôde, começou a participar em concursos literários e teve ainda mais certezas de que o sonho podia tornar-se realidade.

“Numa fase inicial, pensavam que era um adulto a escrever os meus textos. Lembro-me de no meu 5.º ano estar com um professor que é também bibliotecário e ele me perguntar coisas sobre Kafka, e de eu lhe responder com prontidão. Levou um tempo a acreditar, continuou a testar-me por ser estranho que com aquela idade já tivesse lido autores como este, e percebeu que sim quando comecei a comparar livros e a mostrar-lhe as minhas reflexões sobre eles”, explica a escritora.

Os prémios somaram-se a cada participação: primeiro os da escola, depois os concursos de literatura regionais, como o Prémio Revelação da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira (antecedente do Prémio Alves Redol), seguiram-se os nacionais e os internacionais.

No Prémio Aníbal Faustino, em 2009, por exemplo, conseguiu arrecadar dois prémios pelos trabalhos poéticos «Deixai-me cantar a Floresta» e «Chama Fria ou Lucidez». Os júris não sabiam que quem escrevera os livros era a mesma pessoa – pela sua capacidade de escrita em estilos distintos.

Foram estas as distinções que abriram portas para que as editoras nacionais conhecessem o seu trabalho e o quisessem publicar.

Hoje, aos quarenta e dois anos, Sara tem dezasseis livros publicados e outros trinta escritos. Para este ano, estão em processo de revisão para publicação outros quatro (“Entranhados em sonhos” entretanto já publicado, “Nomologia”, “Nomografia” e “Dispersos”), para além das obras em processo de autopublicação na Amazon em inglês e espanhol. Escreve em quatro línguas (entre elas, o crioulo) e os seus livros já são lidos além-fronteiras: PALOP, Espanha e América Latina, bem como nos Estados Unidos e em toda a Commonwealth.

Escreve poemas, narrativas, peças de teatro e textos de não ficção. É através destes estilos que cria enredos criativos, muitos deles baseados em situações vividas e que traduzem chamadas de atenção e alertas para assuntos que causaram impacto na sua vida.

Os temas são os mesmos dos cadernos escritos em criança e adolescente: amor, vida, amizade, mas também violência e morte.

“Sempre me caraterizei por ter uma escrita muito impactante. O que também me diferencia é o facto de escrever com o objetivo de transmitir sensações que se reflitam na linguagem corporal dos leitores”, explica.

Sara recorre bastante à sinestesia na sua escrita: “a construção de imagens, acaba por suscitar determinadas reações e emoções nas pessoas. Trabalho muito com aquilo que é primário, o medo, o desejo, mas de uma forma estética”.

E é esse o feedback que diz receber de quem lê o que escreve: é interpretado como profundo e que causa, de facto, reações físicas. Ou seja, há quem se arrepie, suspire, sinta necessidade de abrir mais os olhos e reler para confirmar a surpresa sentida ou aconchegar-se mais um pouco no sítio onde está para estar pronto para a imensidão e envolvência do próximo capítulo.

“A literatura despertou a minha sensibilidade para a subtileza psicológica. Quando escrevo, é algo muito ‘cirúrgico’. Escrevo e percebo depois que atinge o leitor onde mais ‘dói’”, desenvolve a autora.

É por isso que também coordena oficinas de escrita – para crianças e adultos -, onde as sensações e emoções são exploradas. A escritora prepara dinâmicas em que quem nelas participa é convidado a exprimir-se através das palavras, transportando para o papel e computador emoções como a alegria, ansiedade e até raiva.

É nas bibliotecas que desenvolve estes projetos. A biblioteca continua a ser a sua segunda casa: continua a ir buscar o máximo de livros que pode para as suas leituras e, por outro lado, enquanto desempenha funções de programadora e escritora, trabalha na biblioteca de Vila Franca de Xira, a Fábrica das Palavras. Para além de aí desempenhar funções, também participa em alguns projetos em regime de voluntariado nas bibliotecas municipais da Póvoa de Santa Iria, Alverca e de Vialonga.

Onde pode encontrar as obras de Sara Timóteo:

Bertrand
Fnac
Wook
Amazon
Cc Libros

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